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Congo: uma realidade encoberta
Jan 28th
Ambição e ganância, embora não sejam sinónimos, confundem-se, por vezes, com a natureza humana. As guerras “modernas” a que assistimos nos nossos dias, no conforto do nosso sofá, à distância de um comando, levam-nos a não olharmos para a realidade como ela se pinta.
Desde de Agosto de 1998 que a República Democrática do Congo vive um conflito provocado pela sua parcial ocupação militar de dois países fronteiriços, o Ruanda e o Uganda, guiados por um sentimento imperialista de exploração dos recursos do país. O motivo, para esta descarada presença no território, visível em anexo no final do artigo, dá-se pelo nome de Coltan, que não é mais do que a combinação de dois minerais, a columbite e a tantalite, dos quais se extrai metais considerados mais preciosos que o ouro. O principal uso do Coltan são as novas tecnologias especialmente aquelas ligadas ao espaço e às armas mais sofisticadas.
O que assusta neste conflito é a passividade da comunidade internacional. Não sendo este conflito munido das mesmas campanhas de publicidade que outros presentes no nosso quotidiano, sucedem-se as atrocidades encobertas aos olhos de todo o mundo, como é o caso da estrutura montada pelo Exército Patriótico Ruandês com o objectivo de supervisionar a actividade mineira no Congo e facilitar os contactos com as empresas e outros clientes interessados. Estes clientes são países como os EUA, a Holanda, Alemanha, Bélgica e Cazaquistão que a troco de milhões de euros em receitas, deixa um país no limiar da catástrofe.
A ONU, enquanto supervisora dos Direitos Humanos adia uma solução para o conflito, não fossem alguns dos países envolvidos membros de peso desta Organização. Perfilamos um caminho até 2015 em que temos um objectivo de assegurar 8 princípios básicos de dignidade humana, no entanto temos até agora como herança um conjunto de promessas por cumprir.
Cabe a cada um/a de nós, activistas, ambientalistas, cidadãos e cidadãs do mundo, seres humanos a responsabilidade de escolher em que mundo queremos viver, seja este o nosso bairro ou o nosso planeta. Informem-se, formem-se e vamos à luta. Cada um/a com as suas ferramentas constrói os alicerces para o bem comum.
Os Objectivos do Milénio podem apresentar-se como algo limitados, mas isso talvez se deva ao facto de que para se alcançar algo mais sejam necessários pilares. Não se começa uma casa pelo telhado. Exemplos como o do Congo imitam-se em vários outros conflitos em que o que muda é a perspectiva da opinião pública. Nem tudo o que é tragédia constitui uma grande campanha de marketing. Relembrando esse mote da “thrashalhada” dos anos 80, “Peace sells….But who’s buying?”




