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ODM em S. Tomé

Dizem que temos a sorte de nascer do lado certo do hemisfério e que o norte, por oposição ao sul, é menos susceptível ao fenómeno da pobreza. Se isto é verdade, o que dizer de um país que está situado exactamente a meio, no equador?

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S. Tomé é um país em desenvolvimento, mas não é pobre. Tem a particularidade de ter em abundância a maior das riquezas do hemisfério sul: a sede de conhecimento. Existe por lá uma quantidade francamente crescente de pessoas que lutam contra as suas limitações e a ignorância dos seus semelhantes. São esses que vos apresenta em todas as esquinas esta imagem, assim mesmo, tosca mas directa. Estas imagens falam-nos das nossas oito prioridades até 2015 e ainda nos dão, subtilmente, uma dica extra: “querer é poder” independentemente dos recursos.
Raquel Pinheiro, Agente ODM

Negociações a contra-relógio em Copenhaga

A barreira que divide nações ricas e países em desenvolvimento não dá sinais de ceder

Sugestão da Semana – Occupation 101 & Shooting Dogs

Embalado pela morte de Nino Vieira no passado domingo, símbolo maior da conturbada independência Guineense, mas também o maior promotor do clientelismo e do oportunismo político que tem assombrado o desenvolvimento do país, decidi acrescentar uma outra sugestão à minha alternativa inicial, e deixar-vos esta semana duas sugestões cinematográficas.

Occupation 101 é dos mais aclamados documentários dos últimos tempos e quando me chegou às mãos não imaginava que a realidade do conflito entre Israelitas e Palestinianos estivesse tão bem registada. Uma abordagem fria e por vezes desumana de uma das mais claras situações de desrespeito pelos direitos e liberdades humanas, com o alto patrocínio dos Estados Unidos da América e com a conivência da União Europeia.

A outra sugestão, é um drama do ano de 2005 semelhante ao galardoado Hotel Rwanda, mas bem menos mediatizado pelos meandros Hollywoodescos. Shooting Dogs relata a história do conflito étnico do Rwanda, e o modo como foi vivida no seio de uma comunidade voluntária.

Congo: uma realidade encoberta

Ambição e ganância, embora não sejam sinónimos, confundem-se, por vezes, com a natureza humana. As guerras “modernas” a que assistimos nos nossos dias, no conforto do nosso sofá, à distância de um comando, levam-nos a não olharmos para a realidade como ela se pinta.

Desde de Agosto de 1998 que a República Democrática do Congo vive um conflito provocado pela sua parcial ocupação militar de dois países fronteiriços, o Ruanda e o Uganda, guiados por um sentimento imperialista de exploração dos recursos do país. O motivo, para esta descarada presença no território, visível em anexo no final do artigo, dá-se pelo nome de Coltan, que não é mais do que a combinação de dois minerais, a columbite e a tantalite, dos quais se extrai metais considerados mais preciosos que o ouro. O principal uso do Coltan são as novas tecnologias especialmente aquelas ligadas ao espaço e às armas mais sofisticadas.

O que assusta neste conflito é a passividade da comunidade internacional. Não sendo este conflito munido das mesmas campanhas de publicidade que outros presentes no nosso quotidiano, sucedem-se as atrocidades encobertas aos olhos de todo o mundo, como é o caso da estrutura montada pelo Exército Patriótico Ruandês com o objectivo de supervisionar a actividade mineira no Congo e facilitar os contactos com as empresas e outros clientes interessados. Estes clientes são países como os EUA, a Holanda, Alemanha, Bélgica e Cazaquistão que a troco de milhões de euros em receitas, deixa um país no limiar da catástrofe.

A ONU, enquanto supervisora dos Direitos Humanos adia uma solução para o conflito, não fossem alguns dos países envolvidos membros de peso desta Organização. Perfilamos um caminho até 2015 em que temos um objectivo de assegurar 8 princípios básicos de dignidade humana, no entanto temos até agora como herança um conjunto de promessas por cumprir.

Cabe a cada um/a de nós, activistas, ambientalistas, cidadãos e cidadãs do mundo, seres humanos a responsabilidade de escolher em que mundo queremos viver, seja este o nosso bairro ou o nosso planeta. Informem-se, formem-se e vamos à luta. Cada um/a com as suas ferramentas constrói os alicerces para o bem comum.

Os Objectivos do Milénio podem apresentar-se como algo limitados, mas isso talvez se deva ao facto de que para se alcançar algo mais sejam necessários pilares. Não se começa uma casa pelo telhado. Exemplos como o do Congo imitam-se em vários outros conflitos em que o que muda é a perspectiva da opinião pública. Nem tudo o que é tragédia constitui uma grande campanha de marketing. Relembrando esse mote da “thrashalhada” dos anos 80, “Peace sells….But who’s buying?”