Arquivo por Agosto, 2009
O PIB é limitado.
Ago 21st
Ser rico é comer pipocas, acender a luz, ser feliz
Um derrame gigante de petróleo provoca prejuízos ambientais e sociais difíceis de calcular, mas dá trabalho às empresas de limpeza e cria emprego, logo aumenta o produto interno bruto (a riqueza gerada numa economia). Um programa de saúde infantil pode reduzir o risco de doença e mortalidade em crianças, fazer baixar as despesas hospitalares e, a prazo, o consumo de medicamentos, aumentando assim o bem-estar das pessoas, mas reduz o PIB. A privatização de uma praia, reduzindo o acesso livre ao público, pode estragar as férias a muita gente, mas aumenta a facturação da empresa concessionária, logo contribui positivamente para a riqueza. A exploração de petróleo, um recurso finito, idem.
Estes são alguns exemplos “paradoxais” que provam que o PIB está mal medido, defende Ladislau Dowbor, professor de Economia na Universidade Católica de São Paulo. O debate em torno dos métodos de medição da riqueza não é novo e tem obrigado economistas e instituições a puxarem pela imaginação – ou, pelo menos, a estudarem outras formas de medir o pulso à economia. Para aquele economista brasileiro, o PIB, como hoje é calculado através das estatísticas oficiais, resulta de uma “contabilidade clamorosamente deformada”. Num artigo publicado em Abril deste ano, o professor Dowbor sustenta as suas teses ecologistas com o seguinte argumento: “O essencial é que [...] técnicos de primeira linha nacional e internacional estão cansados de ver o comportamento económico ser calculado sem ter em conta – ou só parcialmente – os interesses da população e a sustentabilidade ambiental. Como pode dizer-se que a economia vai bem ainda que o povo vá mal? A economia serve para quê?” Dowbor defende, em alternativa, meios que complementem a medição da riqueza material, que consigam avaliar a felicidade interna bruta.
O Butão, um país (pobre) nos confins dos Himalaias, já adoptou oficialmente a nova métrica. Nicolas Sarkozy, o presidente francês, foi seduzido pela ideia e encomendou a Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia, um estudo sobre um novo indicador que tenha em conta o bem-estar e a felicidade para, eventualmente, substituir o PIB. Entretanto, a economia tradicional e a estatística tentam ganhar algum avanço. Seja pela luzinhas da Terra, seja pelas pipocas. Com Mariana de A. Barbosa
http://www.ionline.pt/conteudo/19314-o-pib-e-limitado-ser-rico-e-comer-pipocas-acender-luz-ser-feliz
Países ricos propõem redução de 15 a 21 por cento do CO2 até 2020
Ago 13th
PÚBLICO
Os países industrializados estão disponíveis para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) entre 15 e 21 por cento até 2020, informou hoje a ONU na conferência climática a decorrer em Bona até sexta-feira. Mas a meta está longe dos 25 e os 40 por cento defendidos por cientistas. No total, o combate às alterações climáticas deverá custar 300 mil milhões de dólares (212 mil milhões de euros) por ano.
Faltam 115 dias para o início da conferência de Copenhaga, encontro de onde deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012. Mas ainda não é claro o que os países estão dispostos a fazer.
Hoje, o secretariado da Convenção da ONU para as Alterações Climáticas revelou o patamar dos 15-21 por cento, a níveis de 1990, com base nos planos de países como a Rússia, Japão, Canadá e Estados membros da União Europeia (UE).
Assim, as emissões dos 39 países industrializados deverão cair entre 10,7 e 9,8 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2020, contra as 12,5 mil milhões de toneladas de 1990.
Segundo as Nações Unidas, os países que oferecem maiores reduções são a Suíça, Noruega, Liechtenstein e os Estados membros da UE. No extremo oposto estão o Canadá, Japão, Bielorrússia e Rússia.
Estes números excluem os Estados Unidos, o segundo maior emissor mundial depois da China, que não ratificou o Protocolo de Quioto. Apesar de a administração Obama se ter prontificado a reduzir as suas emissões de GEE, a percentagem que põe na mesa para 2020 é de apenas 14 por cento.
Yvo de Boer, presidente do secretariado da Convenção da ONU para as Alterações Climáticas, considera que os países ricos estão a “milhas de distância” daquilo que é necessário fazer para cumprir a meta defendida pelos líderes do G8 em Julho: reduzir as emissões em 80 por cento até 2050.
No âmbito de Quioto, os países industrializados estão comprometidos com reduções médias de 5,2 por cento entre 2008-2012.
A conferência a decorrer em Bona, onde estão reunidos 2400 delegados de 180 países, deverá ainda reduzir as 200 páginas da proposta para o novo acordo mundial climático e preencher muitos espaços ainda em branco no texto. “Em alguns tópicos, sinto algum progresso”, comentou à Reuters Anders Turesson, principal negociador da delegação da Suécia, país que assegura a presidência da UE.
À margem da conferência de Bona, Yvo de Boer estimou que serão necessários 300 mil milhões de dólares (212 mil milhões de euros) anuais para combater as alterações climáticas. “Vamos precisar de 200 mil milhões de dólares [141 mil milhões de euros] por ano para a mitigação e, provavelmente, 100 mil milhões [70 mil milhões] por ano para adaptação… de 2020 em frente”, comentou. O responsável acrescentou que estes números são uma estimativa que ilustra as necessidades a longo-prazo em direcção a uma “economia verde”.
Para De Boer seria importante que a conferência em Copenhaga, no final do ano, começasse com dez mil milhões de dólares (sete mil milhões de euros) em cima da mesa.




